Contabilidade para Pequenas Empresas: a Rotina Depois de Abrir

Módulo 4 — Livro caixa, balanço e DRE: para que servem

15 min de leitura

O que você vai aprender

  • A diferença entre livro caixa, balanço patrimonial e DRE.
  • O que a lei exige de uma empresa do Simples e o que vale a pena ter mesmo sem obrigação.
  • Como ler uma DRE em cinco minutos.

Três relatórios, três perguntas

RelatórioPergunta que responde
Livro caixaQuanto dinheiro entrou e saiu, e quando?
DRE (Demonstração do Resultado do Exercício)A empresa deu lucro ou prejuízo no período?
Balanço patrimonialO que a empresa tem, o que deve e quanto sobra para os sócios?

Caixa e resultado são coisas diferentes. Um mês com muito dinheiro entrando pode ter prejuízo, se as vendas foram parceladas e as despesas cresceram. E um mês lucrativo pode terminar sem caixa, se os clientes ainda não pagaram.

O que a lei exige no Simples Nacional

Perante o fisco, a escrituração da empresa do Simples é simplificada. A Lei Complementar 123/2006 exige, no mínimo, o livro caixa, com toda a movimentação financeira e bancária, além dos livros fiscais próprios da atividade e da guarda dos documentos. A empresa do Simples também é dispensada de entregar à Receita a Escrituração Contábil Digital (ECD).

Isso não torna a contabilidade opcional. O Código Civil (art. 1.179) obriga o empresário e a sociedade empresária a manter contabilidade regular e a levantar todo ano o balanço patrimonial e o de resultado — só o pequeno empresário (o MEI) é dispensado. A LC 123 permite que ME e EPP usem uma contabilidade simplificada, mas não a dispensa.

Além de cumprir a lei, balanço e DRE fazem diferença na prática:

  • Distribuição de lucros: sem contabilidade, a parte isenta de IR fica limitada a um valor presumido calculado sobre a receita (LC 123/2006, art. 14). Com contabilidade regular que demonstre lucro maior, esse lucro pode ser distribuído com isenção. Atenção: se os lucros pagos a um mesmo sócio passarem de R$ 50 mil no mês, há retenção de 10% de IR sobre o valor total — veja o Módulo 5.
  • Crédito: bancos pedem balanço e DRE para liberar financiamento com taxa melhor.
  • Venda ou entrada de sócio: ninguém compra parte de uma empresa sem ver os números.
  • Decisão: sem DRE, preço, desconto e contratação são feitos no escuro.

Como ler uma DRE em cinco minutos

A DRE segue sempre a mesma lógica, de cima para baixo:

  1. Receita bruta — tudo o que foi vendido.
  2. (−) Deduções — impostos sobre a venda, devoluções e descontos.
  3. = Receita líquida.
  4. (−) Custos — o que foi gasto para entregar o produto ou serviço.
  5. = Lucro bruto.
  6. (−) Despesas — aluguel, folha administrativa, marketing, tarifas.
  7. = Resultado — lucro ou prejuízo antes dos tributos sobre o lucro, quando houver.

Três perguntas bastam para começar: a receita cresceu ou caiu? A margem bruta (lucro bruto dividido pela receita líquida) mudou? Qual despesa mais cresceu?

Recado final do módulo

Peça ao contador um balancete e uma DRE mensais ou, pelo menos, trimestrais. Se o escritório não entrega, pergunte quanto custa incluir — costuma ser o serviço com o melhor retorno para uma pequena empresa.

Para entender quanto de pró-labore faz sentido retirar, veja a calculadora de pró-labore ideal.

Conteúdo educativo. As exigências de escrituração variam conforme o regime e a situação da empresa.

Módulo 4 de 6

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